Pedro Menin
12 abr (2 dias atrás)
Para Cristiane Conti
Adoro como você se faz poética sem saber, ou até mesmo podendo, no fundo, desejar que toda a poesia da face da Terra se foda. Assim se faz a melhor poesia: com sangue e a marteladas - algumas no nosso maldito dedo que insiste em ficar na frente. Você faz essa poesia toda ao reescrever as coisas, repasando tudo, relendo com suas palavras e acrescentando geléia de morango aqui, ali. Tambem gosto de suas melequinhas.
Ser feliz. Se passasse o ônibus com o itinerário "felicidade" eu pegaria. Talvez fosse parecido com aqueles ònibus articulados e cheios de luzinhas que a SP-Trans colocou para circular na véspera de Natal, com Papai-Noéis bonachões dirigindo... Ho-ho-ho! A carinha do meu Caio olhando estupefato para o Noel-driver poderia ser chamada seguramente de um flash de felicidade. Sim, concordo que a felicidade é uma capacidade, mas nossa incompetência existencial e os dedinhos de Deus, cheios de areia, ávidos para entrar pelo nosso frágil cu adentro, sem aviso, parecem indicar que ela, a felicidade, é mais esses flashes mesmo, instantâneos que precisamos aproveitar e muito, bem naquela hora. O beijo não dado, não roubado, aquela trepada não dada em substituição a alguma maldita dúvida ou reflexão kantiana são equivalentes, em nós, às maiores catástrofes humanas: a chance se foi e se houver outra será apenas isso: outra; porque aquela, aquela já era.
Os planos feitos junto são, em si, esses flashes, eu acho; e tudo o que se construir de lindo a partir deles, para depois dos inevitáveis finais (nada é perene, note bem: nada) que tragam sorrisos e exemplos a tirar, e que eles superem alguma dorzinha enfadonha dos fins malfeitos.
Os fins malfeitos, aliás, são uma ilusão que veio de outra: que houve, de fato, algum começo. Relacionamentos não deveriam terminar porque o amor, aprendi com meu menino mais do que com outra pessoa, não acaba e não cobra. Se é amor, não tem final e, portanto, se acabou, não era amor, mas ilusão de felicidade: entramos num ônibus que nos pareceu bonitinho, nem olhamos o itinerário. Mas se o itinerário era mesmo a ilusão, mas as trepadas foram boas e os beijos decentes, que importa? Já é algo para suplantar a dorzinha chata, e força para buscar outras suavidades.
Hoje quero vírgulas, vírgulas, ir devagar, cadenciar... mas só hoje em sua duração insuspeita.
12 abr (2 dias atrás)
Para Cristiane Conti
Adoro como você se faz poética sem saber, ou até mesmo podendo, no fundo, desejar que toda a poesia da face da Terra se foda. Assim se faz a melhor poesia: com sangue e a marteladas - algumas no nosso maldito dedo que insiste em ficar na frente. Você faz essa poesia toda ao reescrever as coisas, repasando tudo, relendo com suas palavras e acrescentando geléia de morango aqui, ali. Tambem gosto de suas melequinhas.
Ser feliz. Se passasse o ônibus com o itinerário "felicidade" eu pegaria. Talvez fosse parecido com aqueles ònibus articulados e cheios de luzinhas que a SP-Trans colocou para circular na véspera de Natal, com Papai-Noéis bonachões dirigindo... Ho-ho-ho! A carinha do meu Caio olhando estupefato para o Noel-driver poderia ser chamada seguramente de um flash de felicidade. Sim, concordo que a felicidade é uma capacidade, mas nossa incompetência existencial e os dedinhos de Deus, cheios de areia, ávidos para entrar pelo nosso frágil cu adentro, sem aviso, parecem indicar que ela, a felicidade, é mais esses flashes mesmo, instantâneos que precisamos aproveitar e muito, bem naquela hora. O beijo não dado, não roubado, aquela trepada não dada em substituição a alguma maldita dúvida ou reflexão kantiana são equivalentes, em nós, às maiores catástrofes humanas: a chance se foi e se houver outra será apenas isso: outra; porque aquela, aquela já era.
Os planos feitos junto são, em si, esses flashes, eu acho; e tudo o que se construir de lindo a partir deles, para depois dos inevitáveis finais (nada é perene, note bem: nada) que tragam sorrisos e exemplos a tirar, e que eles superem alguma dorzinha enfadonha dos fins malfeitos.
Os fins malfeitos, aliás, são uma ilusão que veio de outra: que houve, de fato, algum começo. Relacionamentos não deveriam terminar porque o amor, aprendi com meu menino mais do que com outra pessoa, não acaba e não cobra. Se é amor, não tem final e, portanto, se acabou, não era amor, mas ilusão de felicidade: entramos num ônibus que nos pareceu bonitinho, nem olhamos o itinerário. Mas se o itinerário era mesmo a ilusão, mas as trepadas foram boas e os beijos decentes, que importa? Já é algo para suplantar a dorzinha chata, e força para buscar outras suavidades.
Hoje quero vírgulas, vírgulas, ir devagar, cadenciar... mas só hoje em sua duração insuspeita.
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