Pedro Menin
27 abr
Para Cristiane Conti
Em 24 de abril de 2012 11:39, Cristiane Contiescreveu:
Meu amor, meu bem, me ame.
Hey, baby
Em várias partes os estatísticos têm razão: estaremos sós. Ma non troppo, com esperanças avulsas de um dia nos encontrarmos ou no desapego assentarmos os desejos e desejar menos.
Essa parte do mistério eu entendi. É o oposto. Fazer tudo o que der vontade. E quando a vontade depender do outro, fazer tudo o que der vontade. E quando a vontade depender de Deus, fazer tudo o que der vontade. E quando a vontade depender do eguinho, fazer tudo o que der vontade. Eu já sabia, foi das primeiras coisas que aprendi. Queremos controlar, prever, identificar, quantificar, prever em oréculos, mas é só fazer tudo o que der vontade. E depois de minha última incursão ao inferno, voltei fazendo apenas tudo o que tenho vontade. E quando não sei o que fazer, nada faço, a menos que tenha vontade.
Me peguei querendo empurrar de perto de mim algo bom, por já haver aquele reconhecimento de que vai ser ruim de alguma forma, com certa apatia, resignação. Aquela mesma de que falávamos quando eu divagava a respeito de acreditar esperançosa e pollyanamente que daria certo. E você dizia que sim, daria, porque deixaríamos de lado essas necessidades e angústias e seríamos contentes com aquilo que nos fosse oferecido. Não sei bem, sei que só falta eu matar uns 98% do meu ego, que se revira por causa de uma pessoa somente, a mesma de sempre, a que eu pensei ter tirado da vida, mas não tirei de lugar nenhum. E dor que é bom pra tosse, tomo eu.
Bom é o que faz bem, diria eu noutros tempos. Mas às vezes sabemos que a pinga é ruim e mesmo assim fazemos a caipirinha, já prevendo a dor de cabeça que virá, e tratando de gozar a cada gole, enquanto ainda sefaz o tempo de gozar. Foi o que deu vontade. Perguntamos para nossa criança: mas a pinga é ruim e vai doer depois, você quer assim mesmo? Mas se der vontade...
Um deus que dance. Um deus que sambe. Não sei se isso é dividir, mas com a licença da palavra, se for, digo: gosto de dividir a vida com você.
Diria uma amiga chique que Deus tem que ser um cara fashion, quentinho, cheio de luzinhas, ventinhos refrescantes e colinhos aconchegantes, tudo cheirando a baunilha.
Estou embarcando em algumas horas. Ontem eu era só desespero, hoje sou o limbo. Não sei o que esperar de mim.
O que se sabe do desespero é que ele adora parquinho, árvores e aqueles pirulitos enormes de criança. Assim eles acalmam e viram bichos fofos. Senão, se deixar eles mais tristes, de dentro deles saem diabinhos que vão crescendo e crescendo, viram monstros e destróem o mundo. Aprendi isso com os desenhos japoneses - disparado o povo que mais entende de monstros que destróem mundos.
Ah, claro, depois que eles viram monstros, somos nós mesmos, qual Ultraman, que deveremos matá-los. Mas daí a gente só pode matar nosso monstro (e só podemos matar o nosso monstro, nada de ajudar o amiguinho Ultraseven com o monstro dele) depois de apanhar muito, ficar com a porra da luzinha no peito piscando, dizendo que nossa vida corre grande perigo, e então, só então, sacamos uma enorme serra-elétrica (que estava ali o tempo todo) e partimos o monstro ao meio como papel vagabundo.
Adoraria revisitar raivas antigas, apagar essas coisas ruins de gente, dar um jeito de desapegar, des-esperar, des-ejar, desfazer possíveis novos erros, mas é tudo sobre a vida, né?
Também achei que era mais fácil apagar essas raivas antigas. Talvez porque seja principalmente uma raiva da vida que queremos mais facilmente ver naquela pessoa vaquinha que atraímos por conta das fragilidades. Deus não apenas odeia os inteligentes, mas também ama os fortes.
O que houver de ser, será.
Atualizarei isto: http://midwivesofthought.tumblr.com/ com detalhes sempre que possível no durante.
Dei uma lidinha. Boa lida. A vida pode ser colorida e Almodovar nunca nasceria no Brasil.
Me deseje sorte, porque eu estou precisada.
Beijos e até o regresso.
Cristie
Você é das pessoas que menos precisam de sorte que conheço. Mas o problema é tanta tanta tanta porcelana linda que te faz frágil e linda e frágil. Porcelana da boa é aquela que se cola com superbonder e nem sinal se vê.
Beijo doce.
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