Raivas e ressuscitares
Queria falar aqui de raivas antigas. Meses e meses em formas de anos se passaram desde que estivemos por aqui e falávamos das raivas. Você viajou, voltou, trouxe uma alma lavada no mediterrâneo e alguma lama mediterrânea na alma, talvez contatos de supostas encarnações de outrora. Novas vidas, novas mortes, novos velhos erros e os acertos de seguir em frente. Continuamos bem assim. Nunca acreditei muito nas regressões que fiz e que conduzi, talvez porque elas dissessem demais das coisas que eu realmente queria saber. Queria saber como me livrar das raivas, e esses passeios pelos museus do ser apenas diziam sobre os porquês de sermos assim mesmo porque foi assim que projetamos o futuro quando nem sabíamos direito sobre os porquês do presente. Meu passado nietzscheano me fez sempre escrever estiloso quando a alma fala, me fez amar a solitude e nem saber que gostava também da solidão. As raivas antigas, nessas fumaças do tempo, perdem força, perdem voz, e se não damos ração diária de autopiedade, elas vão sumindo, deixando apenas as cicatrizes que nos avisam claramente quando vai chover. Então, nesses tempos todos, aprendi a usar a raiva para acabar com a raiva e o que causa a raiva, menos por buscar a paz e mais por ser inútil perceber que quem criou este jeito de existir, maculado de dor de experiência e sabedoria, simplesmente errou a mão. Hoje espero pelos próximos meses amontoados em anos para saber sobre como buscar fofura nos corações, senão do homem do telejornal diário que nunca assisto, pelo menos em peitos de almofadinha, daquelas vidas cheirando à baunilha de que falamos tanto e sempre. Tenho um menino lindo que de tão amigo nasceu em minha vida como filho para ser um outdoor pisca-piscando fofura como aquele farol no nevoeiro sem fim no tempo: "Continue! O leme é sempre seu".
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