as canções que eu escrevi antes de te conhecer

demorou esse tempo todo até a lembrança de que um dia eu transformei coisas em outras coisas, e que eventualmente o saldo eram palavras e eu não sei como uma pessoa que conheci há 2 anos reapareceu e me fez criar uma playlist de quase 2 mil músicas e rever antigos registros (como estas cartas) buscando algo que resumisse meu estilo, como se isso fosse possível - e não é, vide as 2 mil músicas, que começou com uma playlist "para ouvirmos juntos" e terminou como "the ultimate eu".

demorou mais de uma semana para que o meu coração não tivesse outra saída além dessa, lhe escrever. acaba de completar 36h que levo um aperto por dentro, e ainda não entendi a origem, mas continuo buscando. cansada e buscando, porque se não o que haveria? e foi vasculhando em busca de uma música que tinha uma pessoa tocando washboard no clipe que encontrei esse senhor que compôs um disco e chamou de "as canções que eu escrevi antes de te conhecer".

chegamos aqui, no momento em que: 1. eu percebo, mais uma vez, a desesperança (parcial e irremediável e que tange minha razão, mas nem sempre meu coração) em que me vejo abrigada da chuva de fora, mas não da de dentro, que - até esta - anda silenciosa e traiçoeira, mas desabrigada de um canteiro minimamente bom pra me proteger e seguir sem cicatrizes. sobretudo das quietas, que a gente nem sabe que fez, mas que vai descobrir mais pra frente que sim, marcas e marcos que nos endurecem aqui, amolecem ali; 2. eu não tenho esse muso do cantor que escreveu esse nome tão bonito de disco provavelmente para uma musa ou um muso. eu sou sempre feliz quando tenho esse muso. é um regador sobre minha cabeça, eu floresço e ofereço meu melhor para o mundo; 3. acho tudo isso dito anteriormente errado em tantos níveis que não sei listar, mas ao mesmo tempo tão eu que não dá pra saber exatamente o que fazer, porque será que tem algo a fazer?

aqui também é um ponto de inflexão sobre um dado que não citei: 4. as raivas. elas são um tema tão atual, mas tão atual que as lágrimas que tavam secas des-secaram e eu me pego chorando porque não tinha visto sua postagem antes e porque a vida é uma bandida e não era pra eu ver mesmo, era pra ser agora, no meio do furacão, com a sensação de que o que é pra ser é e a certeza de que eu não aprendi a lidar com nada disso. com nada disso.

tem hora que cansa passear nesse museu, Pedro. eu cansei e, por isso, silenciei até o que tinha de mais bonito nas paredes do meu. aqui digredimos sobre o ponto número 2, em que não julgo acertada a não-escolha de florescer diante do meu olhar sobre mim a partir do olhar do outro sobre mim. quero ser flor o tempo todo. voltamos no ponto 3, errado de novo, ninguém é só uma coisa, a gente é uma biblioteca de coisas às vezes mal organizadas, mas que não falha em apresentar referência sobre o que fazer quando não há o que ser feito. geralmente é merda.

não tenho o muso, mas foi essa pessoa inesperada que me trouxe o repasseio pelo ponto número 1, uma playlist com 2 mil músicas, um aprendizado talvez tardio sobre liberdade e solidão e esse retorno aqui. isso tudo deveria ser bem suficiente, né? talvez seja. o leme é sempre nosso? acho que não.

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